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quarta-feira, 9 de março de 2016

A tão esperada audiência - Parte 4

O incidente foi no começo de junho, recebi a primeira ligação do tribunal no início de setembro.
A audiência estáva marcada para o dia 29 de setembro. Entrei em contato com o escritório de advocacia e recebi instruções que minha presença era muito importante. Pois houve casos em que a vítima não compareceu e o acusado saiu andando pela porta da frente.

Nesta data eu estaria em Bahrain, apenas uma hora de voo até o Omã. Planejei com antecedência, comprei a passagem pra chegar as três e meia da manhã em Muscat, reservei um motorista da empresa pra me levar de carro as seis da manhã até a cidade de Ibri. Uma viagem de um pouco menos de três horas, chegaria às 9 da manhã a tempo da audiência.

As três e meia um motorista do turno da noite me buscou no aeroporto e me levou pro hotel. Eu só teria que esperar o novo motorista..
Eu já estava esperando na portaria às seis, ligo pro motorista e ele não atende. Seis e dez, seis e vinte, seis e meia e nada. O motorista está atrasado e não atende o telefone. Chegou as seis e trinta e cinco. Eu já estava com o coração na mão.

Começamos a viagem e nada podia ser feito. Pelas leis e pelas políticas da empresa o carro não pode ir mais rápido que a velocidade permitida. Então só resta descansar um pouco. Tirei uma soneca.

Acordei as nove, ainda não chegamos. Quando vejo sinais do vilarejo, descubro que o motorista na verdade não sabe o caminho e se perde.
Ligo pro advogado que estava me esperando. Ele não atende, deve estar dentro do tribunal.
Quando chegamos depois das dez, já era tarde demais, o meu caso foi o primeiro.

Fiquei muito puta com o motorista, mas não quis descontar nada em cima dele e fui conversar com o advogado.
O advogado falou que o acusado mudou o discurso, diferente do depoimento, e disse que bateu na minha porta por engano, na verdade ele queria entrar no quarto dele. Que estava usando o turbante ao redor do rosto por causa da tempestade de areia e que EU o ataquei quando abri a porta com uma barra.

Ainda não querendo descontar no idiota do motorista. Respirei fundo e perguntei ao advogado o que poderíamos fazer. O advogado disse que ele conseguiria um direito de resposta pra mim em duas semanas. Ele sugeriu imprimir e mostrar as fotos, relatório médico dos ferimentos, relatório do tempo naquele dia e uma planta do acampamento pra mostrar a distância e localização dos quartos. Podemos tentar entrar em contato com as testemunhas também.

Mais duas semanas de agonia.

domingo, 6 de março de 2016

Boletins de Ocorrência - Parte 3

Chegamos na delegacia.
Não estava esperando tantos policiais nesse vilarejo no meio do nada no deserto, mas me surpreendi. Nos direcionaram para uma sala de interrogação e esperamos o delegado. Minha equipe ficou comigo o tempo todo como testemunha e intérprete.
Comecei a ditar meu depoimento em inglês pra meu intérprete, ele traduzia pra árabe e o delegado escrevia. O delegado fazia uma pergunta em árabe, meu intérprete traduzia pra inglês e eu respondia. E assim por diante. Demoramos horas pra terminar a história. Eu ainda em estado de choque, tive que contar a história umas 10 vezes em menos de 24 horas.
Anotou a minha parte da história e a das testemunhas. Registrou nossos nomes, tirou cópia das nossas identidades e assinei com impressão digital.

O acusado foi chamado a essa sala mas não admitiu nada. Disse que nunca tinha me visto antes e não sabia de nada. Os funcionários da cozinha deram um depoimento que ele estava dormindo naquele horário e não tinha saído do quarto. No depoimento eles escreveram que todos os cozinheiros entraram no quarto juntos depois de preparar a última leva de pães na cozinha. 
Eu pensei como ia ser difícil continuar, a minha palavra contra a deles. Aí eu me pergunto, se não era esse homem, outro alguém entrou no meu quarto e me deixou com hematomas. Não é melhor investigar?

Depois de muitas e muitas horas na delegacia, fomos enviados a uma clínica pra fazer o exame corpo de delito. Fizeram exame de sangue, amostras de debaixo da unha, amostras dos arranhões e um relatório detalhando meus ferimentos.
Que azar ter o péssimo hábito de roer unhas. Se eu soubesse que ter unhas grandes e arranhar o suspeito poderia ser um grande aliado na resolução de um crime...

Da clínica fomos até a promotoria, muitos representantes das duas empresas já estavam presentes lá, do acusado e da minha. Mais uma vez tivemos que dar nossos depoimentos, desta vez tive uma intérprete mulher. Ela leu tudo o que estava escrito em árabe pra mim e tive que responder perguntas bem específicas e detalhadas sobre o episódio (qual a mão, direita ou esquerda, que ele usou pra abrir a porta do quarto, pra te tocar e assim vai).
Eu entendo perfeitamente porque alguém pararia por aqui ou até antes dessa dor de cabeça. 
E vontade de explodir quando perguntam coisas como: se eu tinha um relacionamento com ele, se eu tinha bebido, se eu sou uma moça de "família" e se eu me visto "decentemente". Dizem que essas perguntas fazem parte de qualquer investigação, mas eu acho que é uma tentativa de colocar a culpa na vítima.
Pois é claro que se eu tivesse um relacionamento com ele, tivesse bebido e usando shortinho, nem precisa de julgamento, não é? 

Agora é só esperar a primeira audiência.

sábado, 5 de março de 2016

A investigação - Parte 2

Dentro do quarto tentando recuperar meu fôlego, percebo que estou um pouco machucada.
Minha boca está cortada, meu olho direito machucado, roxos nos braços, joelhos e pernas, sangue pisado e um corte no dedão do pé.
Ligo para meu marido em Bahrain e pro meu chefe em Fahud, tento explicar a história aos soluços. A solução era encontrar alguém nesse acampamento para me ajudar nesse caso, ligamos pro supervisor.

Uma hora depois ouço batidas na porta. Grito "quem é" e ouço uma voz familiar dizendo "é o Fulano da sua equipe junto com o supervisor".

Abro a porta e começo a cuspir a história no meio de soluços. Não sei de onde me veio esse palpite tão específico: "acho que foi alguém da equipe da cozinha, estava vestindo uma camisa branca e uma calça comprida, com um turbante quadriculado enrolado no rosto". Algo naqueles olhos enrolados no turbante me lembrou um olhar estranho que recebi na hora do almoço no refeitório. Acho que nós mulheres sabemos quando cachorros nos olham como um frango de padaria. Me lembrei que o sotaque dele era de um estrangeiro falando árabe. Aqui todos os funcionários dos refeitórios e limpeza são sempre estrangeiros.

Chamaram a polícia e ao mesmo tempo decidiram acordar toda a equipe da cozinha. Abriram a porta do quarto deles e pediram pra todos os três cozinheiros saírem. Dois saíram com a roupa que estavam dormindo. Um terceiro homem trocou uma camisa branca por uma camisa vermelha antes de sair do quarto. Suspeitei de algo.

Quando eles saíram logo vi que os dois primeiros não batiam com a imagem que eu tinha. Um era muito magrelo e outro barrigudo. O terceiro homem, no entanto, batia com a imagem que eu tinha em mente.
Mas o chefe da equipe da cozinha falou: "porque você acha que é alguém da minha equipe e não omanis?" Omanis, como são chamamos quem nasce no Oman. Eu disse que o sotaque não era de árabes (sou casada com um árabe, sei diferenciar oras). Mas o supervisor logo disse: "não seja por isso, vamos acordar todas as pessoas desse acampamento para ela identificar o suspeito".

Com isso acordaram todos as pessoas (por volta de 30) que estavam passando aquela noite no acampamento, inclusive os omanis, e os colocaram na minha frente. Fui falando que eles não batiam com a descrição, alto demais, baixo demais, preto demais, branco demais, etc. Nenhum deles se aproximava da minha memória tanto quanto aquele terceiro homem. Foram dispensados e voltaram aos seus quartos.

Lembrei do turbante e minha equipe entrou no quarto dos cozinheiros, pegaram dois turbantes e colocaram na minha frente. Escolhi um que era cinza e vermelho com quadradinhos pois era a imagem que eu tinha em mente. Adivinha a quem pertencia. Àquele terceiro homem.

Pedi pra todos os presentes incluindo minha equipe e supervisor a me perguntarem se eu falava árabe em árabe não em inglês, pois era a única frase que eu ouvi antes de ser atacada. A minha idéia era tentar identificar o suspeito pelo sotaque e timbre da voz.
Alinhados na minha frente, todos repetiam  um de cada vez "tatakalam alarabía" exceto quando chegou a vez daquele terceiro homem. Que se fez de bobo e perguntou na língua dele. Minha equipe estava começando a ficar brava, pois todos já estavam suspeitando desse cara. Foram até ele e pediram pra ele repetir "tatakalam alarabía". Naquele momento eu reconheci a voz e como cheguei mais perto reconheci o mal cheiro

Minha equipe estava analisando o cara e percebeu que ele tinha uma tatuagem no braço. Não, eu não lembro de tatuagem. "Como você não viu essa tatuagem?" E começaram a duvidar de mim. Mas todas as outras pistas já bastavam pra mim. A troca de camisa, o turbante quadriculado, a voz, a recusa de repetir a frase, o cheiro. No momento em que procuravam por marcas de mordidas na mão dele, acharam um pequeno arranhão muito recente no braço dele. Isso foi a prova que precisávamos pra levá-lo pra delegacia.

A polícia chegou.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

O início de uma luta - Parte 1

Escrever sobre algo que me causou forte emoções ou traumas é sempre difícil. Acho que é difícil porque relembrar me traz de volta aquela dor ou lágrimas.
Desafiei a mim mesma e decidi escrever aqui, para que essas memórias não se percam, e quem sabe, um dia inspirar alguém a também dividir as suas.

Meus amigos e quem tem acompanhado o meu blog sabe que sou engenheira e o meu trabalho é de campo no interior no deserto do Oman. Não vou entrar em detalhes agora, para aqueles que ainda não leram, podem aproveitar outros posts do blog.

Exemplo de Acomodações Temporárias
Minha luta começa no dia 9 de junho as duas da manhã quando ouço batidas na porta. Estou descansando em uma das acomodações do cliente, uma dessas caravanas temporárias. Terminei um trabalho de campo no dia anterior e dormi exausta.
Achei que era minha equipe me acordando para o café da manhã (não sabia que eram duas da manhã) e fui abrir a porta. Uso uma barra de ferro como fechadura pois a porta não tinha trinco.

Do lado de fora da porta estava um homem com o rosto coberto com um turbante, só dava pra ver os olhos. Acho que sou muito bobinha, mas passou pela minha cabeça que ele estava usando o turbante assim por causa do mau tempo. Ele me perguntou se eu falava árabe, em árabe, e eu disse que não, em inglês. Achei que ele estava procurando pelas roupas que a lavanderia deixou no quarto e não pertenciam a mim.

Imediatamente ele abre a porta e entra no quarto, vê que eu estou segurando aquela barra de ferro. Tenta tirar a barra de mim, a ficha demorou muito para cair e muito tarde tento gritar por ajuda, mas ele tapa a minha boca e fecha a porta.
Me joga no chão, me segura por trás, e ao mesmo tempo que tenta tirar a barra de mim. Seguro aquela barra com todas as minhas forças. Só consigo pensar se ele tirar essa barra de mim vai me machucar mais. Depois de um tempo, ele desiste da barra para começar a me apalpar. Quando você acha que não tem mais forças, a adrenalina te dá mais. Eu pensei: esse cara não vai me estuprar. É essa palavra assustadora mesmo foi a que meu deu mais forças.
Passei a acertar a cabeça dele com a barra e morder a mão dele. Quando ele movimentava pra fugir das mordidas eu gritava "vá embora!".
Esses containers são relativamente silenciosos e eu só tinha esperança de um vizinho de trás ouvir os barulhos. Então passei a chutar com muita força o armário de metal e a porta.

Não sei dizer quanto tempo durou essa luta, mas em um determinado momento ele me pressionou no chão e saiu correndo pela porta.
Corri e tranquei a porta com minha barra. Chorei até perder o fôlego. O que fazer?

A história continua, mas eu preciso de um tempo pra escrever...

domingo, 1 de novembro de 2015

Ao Redor do Mundo

Era uma vez
Uma video conferência ao redor do mundo
Uma proximidade no meio da distância
Muitas saudades, a palavra proibida
Milhares de quilômetros
No começo, no meio e no final do mapa mundi
Amizades sem fronteiras

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Fotos e mais fotos

Desde criança sempre quis ter aquela câmera polaroid que imprime as fotos na hora. 
Com essa nova onda de celulares e cameras que tiram milhões de fotos, acabamos não dando muito valor pra cada foto que tiramos. Lembro que em 1994 quando viajamos pra Disney por duas semanas, levamos uns 2 filmes de 36 poses e pronto. Quando fui pra Disney 20 anos depois com meu marido, acho que tiramos 36 fotos a cada hora com o nosso celular!

Tiramos uma foto no casamento da tia do Ahmed no mês passado e aquela vontade de ter aquela polaroid voltou.

Como o Ahmed foi passar um tempo nos Estados Unidos, pedi pra ele dar uma olhadas nessas câmeras e acabei ganhando uma de presente quando ele voltou!

A minha idéia é tirar pelo menos uma foto em ocasiões especiais (ou apenas em um final de semana  gostoso em família por exemplo) escrever a data/ocasião e fazer um pequeno mural no final do ano. Como já faço com as fotos que imprimo de vez em quando. 
Acho que cada foto dessa vale mais que 1000 fotos em celulares...

Minha Nova Câmera
Foto que me inspirou

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Mudanças e mais mudanças

Depois de quase 2 anos no norte do Oman morando no quarto-container 248 em Fahud, Oman, decidi mudar. Acho que pra não sair da minha tradição nômade... 
Pedi um quarto mais próximo da entrada do acampamento e se possível que tivesse acesso a internet. Nesses últimos 2 anos tinha que ficar no escritório até mais tarde pra usar a wifi pra fazer a famosa video conferencia com a minha mãe aos sábados ou domingos.
De manhã, fiz as malas, coloquei todos os meus pertences em sacolas ou mochilas, pedi ajuda pro administrador do acampamento providenciar uns ajudantes a noite.
Fui trabalhar e quando terminei o jantar, liguei para o administrador e ele me levou até o novo quarto. Quando cheguei fiquei bem surpresa, pois todas a minha mudança já estava lá e do jeito que eu gosto! 
As bandeiras como toalhas, o tsuru pendurado na lâmpada, tapete, travesseiros, almofadas, lençóis e fronhas limpas trocadas! Todas as sacolas e mochilas no armário e roupas penduradas nos cabides! Sorri ao me sentir em "casa" novamente. 
Me surpreendi em como a camareira já me conhecia o suficiente para colocar todas as minhas coisas do meu jeito (sabe até do meu leve TOC).

Aqueles que não trabalham no deserto, talvez não entendam muito bem a alegria que é voltar do campo e aproveitar o tempo no aconchegante quarto-container.

Visão geral do quarto-container
Biblioteca

Home office

Finalmente conferência no quarto

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Começo de um projeto

Pra aqueles que tem me acompanhado por aqui no blog sabem que o meu trabalho é no campo. 
O campo nem sempre é uma Brastemp. 
O deserto do Oman é uns dos lugares mais quentes e desafiantes do planeta. Enfrentamos muitos problemas, desde problemas operacionais/técnicos relacionados ao trabalho, dificuldades de achar acomodação/alimentação para todos da equipe (difícil achar quartos para mulheres por exemplo), altas temperaturas, tempestades de areia, alagamentos de estradas (wadis), etc.

Comecei um projeto que permitirá que o trabalho de campo seja realizado de dentro do escritório!
Projeto iguais a esse já estão sendo realizados em vários países do mundo. 
A idéia é que os engenheiros realizem o trabalho de qualquer lugar do mundo, de dentro de um "Centro de Operações Remotas". Esse tipo de operação já é realizada remotamente em diferentes departamentos na empresa e em outras empresas de diferentes ramos.

A tecnologia já nos permite realizar esse trabalho há muito tempo, mas agora com a dificuldade que esse setor está enfrentando, existe um maior empurrão pra atividades desse tipo. Atividades que aumentam a produtividade de cada um sem que haja necessidade de demitir ou realocar engenheiros.

Estamos o tempo todo enfrentando a pressão ao ver nossos colegas sendo demitidos. Dificuldade de arrumar outro emprego. 
Eu, ao mesmo tempo fico um pouco ansiosa, me sinto também tranquila. 
Pois sei que se acontecer comigo vou fazer como sempre fiz quando me dão um limão: fazer uma limonada.

Centro de Operações Remotas
Aproveitando pra tomar um chá de camomila
No campo, treinando uma outra engenheira


quarta-feira, 12 de agosto de 2015

To FB or not to FB

Li uma reportagem na revista Super Interessante sobre o Facebook e me fez ficar um pouco em dúvida sobre usar tanto esse meio. Acho que sem querer eu meio que mantive o blog pra escapar um pouco de lá. Um espaço meu fora daquela rede. Na verdade passo dias e mais dias, as vezes semanas sem entrar quando estou trabalhando e nem sinto falta. Enquanto que algumas pessoas que trabalham comigo parecem estar tendo crise de abstinência.

O que mais me chamou atenção na reportagem foi que quanto mais tempo uma pessoa passa no face, mais infeliz ela fica. Ainda não souberam explicar o porquê, mas uma hipótese é a chamada inveja subliminar, que surge sem que a gente perceba conscientemente. As pessoas tendem a mostrar só as coisas boas e o subconsciente acha que aquilo reflete a vida inteira delas. Um exemplo é quando os amigos postam fotos de viagem e temos a sensação que todo mundo está de férias e todos os amigos viajam mais do que a gente. O subconsciente não vê que aquele amigo trabalhou bastante pra conseguir tirar aquelas férias e planejou com antecedência pra aproveitar os feriados do ano.

E claro que existiam outros argumentos na reportagem como a compra de "curtidas" pra fazer o seu site ser mais famoso, a manipulação de humor dos usuários por uma pesquisa anti-ética, a superexposição da nossa privacidade, o algoritmo que define a sequência de informações que vemos na nossa timeline e a monitoração de sites que entramos para nos oferecer anúncios relacionados aos nossos interesses. 

Eu não acho que irei apagar minha conta ou sair definitivamente da rede agora, mas garanto que irei diminuir bastante as minhas já raras visitas. 

domingo, 19 de julho de 2015

Eid Mubarak

Eid Mubarak
Finalmente o tão esperado "Eid" chegou depois do mês do Ramadã. Hoje iremos comemorar com um almoço na casa da avó do Ahmed.

Acordamos relativamente tarde e tomamos o primeiro café da manhã em um mês!
Fui rapidinho ao salão fazer uma escova pra domar as madeixas.
Quando voltei, Ahmed já estava vestido com a túnica (thoob) e me apressou pra eu me arrumar.
Eu me considero super rápida pra me arrumar, mas dei uma corridinha. Vesti minha jalabiya (vestido típico), fiz minha maquiagem (!), coloquei minhas jóias (!) e salto alto (! acho que quem me conhece vai achar que todo o post é inventado a partir de agora).

Almoço típico (no chão rsrs)
A casa da avó do Ahmed é relativamente perto e chegamos em 10 minutos. Nem precisava te me apressado tanto, mas tive que manter a tradição de ficar pronta primeiro.

A saudação que se usa para cumprimentar nesta data é o título do post: "Eid Mubarak". Que significa um "Eid" abençoado para você. Lembrando que Eid é o nome do festival, mencionado no post anterior. Outra saudação muito usada é "Kul 'am wa enta bi-khair" que ao pé da letra significa que todos os anos te encontrem com boa saúde. 

O narguilhe aqui se chama Sheesha
Várias tias, tios, primas, primos estavam presentes, uma grande família como a nossa no Brasil. Muitas crianças e alegria pela casa. O almoço foi servido no chão em duas salas, uma para as mulheres e uma para os homens. O prato era arroz com cordeiro e frango com um molho de passas e castanhas. Havia dois tipos de saladas também, mas não é o meu forte. Eu sempre preparo um iogurte ao meu lado caso a comida seja apimentada pra diluir o tempero, mas desta vez estava ao ponto.

As sobremesas não são servidas na mesa imediatamente depois da comida como nós fazemos. A mesa é retirada e uma mesa pequena ou uma outra sala é preparada com chá, café árabe, frutas e doces. Muitas vezes a Sheesha também é preparada pra acompanhar. O café árabe é bem diferente do nosso pois é adicionado cardamomo e açafrão (sim o café é amarelo), normalmente tomado sem açúcar.

Uma tradição do "Eid" é distribuir dinheirinhos entre as crianças, por isso trocamos algumas notas grandes em notas de 500 fils (meio dinar). As crianças mais velhas recebem um pouco mais do que as crianças pequenas, mas no final da noite estão todos contando seus lucros!