sábado, 24 de junho de 2017

Um novo Ramadã

Como já escrevi vários posts sobre o mês do Ramadã, criei um marcador “Ramadan” pra quem quiser ler mais sobre o assunto e minhas experiências anteriores também. Desta vez passei o mês inteiro em Bahrain, trabalhando inicialmente só com as aulas particulares, depois comecei o trabalho novo. Os horários e hábitos mudam bastante durante o Ramadã pra quem faz ou não o jejum durante o dia.

"Iftar" em família
É contra a lei comer ou beber em público durante o Ramadã (durante o dia), porém existem alguns “oásis” onde é possível tomar um café ou almoçar. Clubes não permitem que se levem convidados durante o dia pra piscina e pedem identidade pra conferir se muçulmanos estão entrando em um restaurante onde se vende bebida alcoólica. Apenas alguns restaurantes em hotéis 5 estrelas podem abrir durante o dia. A maioria dos restaurantes e cafés só abrem umas 18h e mesmo assim precisam de uma cortina se forem servir algo antes do adhan. Adhan é o nome do chamado pra oração feito cinco vezes ao dia pelas mesquitas. A quebra de jejum é feita depois do pôr do sol, que esse ano foi em torno de seis e meia.

Eu dava aulas de manhã, mas alguns alunos preferiram ter aula depois do “Iftar” (refeição onde se quebra o jejum). No escritório eles colocaram cortinas em uma sala de reunião que virou refeitório. Já que nenhum restaurante abre ao redor do escritório, funcionários que não fazem jejum precisavam levar lanchinho de casa. Água e café só dentro do refeitório. 
Exemplo de sobremesa!
Geralmente o Ahmed saía mais cedo do trabalho, pois a jornada de trabalho se reduz pra 6 horas diárias sem parada pra almoço. Depois do trabalho eu ia pra casa da sogra fazer o desjejum com todos. É como se fosse Natal todos os dias! Resumindo dá pra engordar bastante no Ramadã. 

Depois do desjejum sentávamos ao redor da mesa de chá e café, quase todo dia havia um doce diferente. Alguns programas de televisão típicos do Ramadã passam o mês inteiro (foi a primeira vez que eu assisti e entendi alguma coisa, pois os programas são todos em árabe!). Alguns dias eu saia cedo pra dar aulas ou ter aulas, mas na maioria a gente ficava até tarde juntos. Chegávamos em casa bem tarde e exaustos, com quentinhas de comida pra madrugada!

domingo, 18 de junho de 2017

Consegui um trabalho novo!

Consegui uma entrevista numa empresa de consultoria através de uma brasileira nova que chegou em Bahrain. O engraçado é que a entrevista inicial foi na casa do diretor, pois ele estava com o pé torcido e estava de repouso. Duas amigas brasileiras foram comigo, falei sobre minhas experiências de trabalho, entreguei meu currículo e fiquei a espera de retorno.

Inicialmente eles não tinham nenhuma vaga, mas se interessaram por alguém que já estivesse disponível aqui em Bahrain e pudesse trabalhar como trainee ou assistente de projeto por exemplo.

Depois de alguns meses sem notícia recebo uma mensagem marcando uma entrevista. Quando chego no escritório descubro que não é uma entrevista e sim meu primeiro dia de trabalho! Me entregaram um projeto e perguntaram: você consegue nos ajudar?

Agora todos os dias são novos desafios, re-aprendendo a engenharia que aprendi na faculdade e mais um pouco, depois de tantos anos trabalhando no campo.

Meu supervisor é um engenheiro mecânico da Escócia, além de ter que re-aprender engenharia estou tendo que re-aprender inglês! 

Fiquei feliz com o novo trabalho, quem me conhece sabe que eu gosto de desafios!

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Uma rosa dourada


 Sempre gostei muito de comemorar meu aniversário, isso não é uma grande novidade. Até porque dá pra usar como desculpa para marcar mais encontros e bate papos. Esse ano “só” comemorei três vezes: uma vez na piscina com as brasileiras, a segunda com os brasileiros num jantar italiano e finalmente um bolinho com a família árabe. 


O dia na piscina foi ótimo, com direito a café da manhã na beira da piscina, caixinha de som com música e conversa fiada. O pulo na piscina foi o evento mais esperado do dia, porque tivemos que esperar umas duas horas até a piscina ficar própria pra banho depois da aplicação do cloro. 

Ahmed estava sofrendo pra esconder o meu presente de aniversário a semana inteira. Eu ficava insistindo pra ele falar, mas ele segurou com todas as forças. Pra ele, um fofoqueiro de mão cheia, foi uma tortura guardar o segredo até a hora do jantar. 
Foi um gesto muito bonito, me entregou a rosa dourada todo envergonhado na frente de todos. Eu fiquei muito emocionada e surpresa não esperava uma ideia tão diferente! Me lembrou a pena dourada do Pedro II. Agora estou a procura de uma redoma de vidro pra ficar igual à rosa da Bela e a Fera. 
O jantar italiano foi quase perfeito, tirando o fato que era o último dia da Ellen em Bahrain. 

A última comemoração foi um bolinho na casa da sogra (na verdade uma torta de chocolate que eu comi quase inteira sozinha). Almoçamos todos juntos na sexta feira e cantamos o parabéns em árabe sentados no chão. 

Resumindo, curti muito comemorar o meu aniversário de 30 anos!

sábado, 25 de março de 2017

Uma viagem pro Brasil pra lá de cheia

Essa foi uma viagem que eu tentei muito programar, mas acabei fazendo tudo na última hora... Comprei a passagem mais barata que dava uma pequena volta ao mundo até chegar no Brasil.

Chiques e Elegantes
Consegui chegar a tempo de ir ao casamento do Rafaelle em João Pessoa, de comemorar o aniversário do Renato num churrasco e ainda turistar pelo Rio com duas amigas do Omã.

Em João Pessoa ficamos em um apartamento na beira da praia, fizemos canoagem, viagem de barco pelos corais, por-do-sol ao som de saxofone, muitas comidas típicas. O casamento foi muito lindo, aproveitamos bastante e ainda imprimimos muitas fotos de lembrança!

No Rio hospedamos duas amigas do Omã (trabalhei com elas lá) e fizemos muitos programas pela cidade, passeios por Copacabana, jantar na beira da praia, uma noite de Forró e Salsa, algumas comprinhas também. Elas depois ficaram em um hotel em Santa Teresa antes de retornar ao Omã.
Canoagem pelos corais do Seixas

Deu tempo de comer bastante minhas comidas favoritas e ver muitas pessoas queridas. O churrasco do Renato também foi ótimo e com direito a rodinha de samba no final.

Sim, tenho que admitir que essa viagem foi muito boa mesmo, mas só uma coisa ficou atrás da minha orelha. Bahrain é muito mais chato e tem muito menos coisas pra fazer que no Brasil. Mas eu fiquei com saudades de lá. Do marido eu sempre fico, mas dessa vez foi como tivesse caído a ficha que a minha casa é lá e não mais no Brasil.

domingo, 29 de janeiro de 2017

Ensinando e Aprendendo Árabe

Como todos sabem, estou aprendendo árabe há anos... Mas acho que só ano passado que o estudo deslanchou de verdade. Fiz um curso num instituto, aulas particulares e passei a conversar com a família do marido (nem falo que passei a entender as fofocas e brigas também!).

Uma brasileira casada com um saudita sugeriu que fizéssemos uma aula em grupo com todas as brasileiras casadas com árabes. Todas acharam uma ótima ideia!

Abrimos um grupo no whatsapp, entrei em contato com a professora que me deu aulas particulares no ano passado e finalmente fechamos uma data.

Tenho que admitir que o grupo não vingou. Pois logo depois da primeira aula algumas meninas acharam que a professora estava cobrando caro, outras não foram com a cara da professora, outra não gostou do método de ensino.

Então a aula que ia ser em grupo acabou virando semi-particular, só eu e mais uma.

Mas as outras meninas ainda queriam aprender árabe de qualquer jeito. Então fizemos um grupo e eu as ensinei a ler e escrever, a falar algumas expressões, etc. Foi muito gratificante as ver todas felizes lendo as placas na rua, nomes de lojas, anúncios e propagandas!

Ao mesmo tempo que foi super gratificante ver todas aprendendo, no meio do caminho muitas perderam a motivação inicial e o grupo foi se dissolvendo. Como fiquei ocupada com as minhas aulas particulares, também deixei para segundo plano e acabou...

O grupo de árabe acabou mas eu quis escrever um post mesmo assim sobre esse grupo que foi muito importante pra mim.

domingo, 25 de dezembro de 2016

Natal entre Brasileiros

Peru e Farofa
Eu me esforcei, mas nunca me acostumei a passar as datas comemorativas longe da família e amigos. Tantos anos trabalhando no deserto, deixava tudo pra comemorar depois. Quantas datas eu acumulava e comemorava tudo junto de uma vez quando ia ao Brasil por exemplo. O natal já comemorei em novembro, aniversário em junho, o ovo da páscoa chegou em julho!


Hoje dou bastante valor quando consigo aproveitar um dia importante.
Salpicão e Arroz
Sempre gostei de comemorar meu aniversário, uma desculpa pra comer tudo o que tiver com vontade e encontrar os amigos. Há gente que não gosta de comemorar, mas eu acho muito legal considerar um dia mais importante que o outro pra dar mais cor à vida. 

Natal então, sempre uma data feliz, encontro com a família e bagunça com as crianças.

Não programei nada pra este Natal, pois a família do marido não comemora. Estava começando a ficar jururu.
Natal à Brasileira
Mas uma brasileira ao saber que estávamos sem programa no Natal, nos convidou de última hora para a ceia. Passamos o Natal bem à brasileira, com direito a peru, farofa, amigo oculto e discursos.

Um discurso me emocionou bastante até por ser bem parecido com o que eu passo desde 2011. Um brasileiro disse que esse era o segundo natal em 10 anos que passava junto ao filho, pois ele trabalha fora do Brasil há muitos anos.

Aniversário de Casamento
Esse deve ter sido o quinto natal que passo longe da minha mãe. Dessa vez pelo menos passei ao lado do marido e os novos amigos. Os brasileiros em Bahrain que são a nossa família longe do Brasil. 

Eu e meu marido voltamos bem felizes pra casa, pois a véspera de Natal também é nosso aniversário de casamento! E pela primeira vez estávamos juntos e aproveitamos bastante o dia desde o café da manhã até a ceia!

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Mudança de Carreira

Saí do meu emprego de engenheira de campo por muitas razões. Pelo trabalho ser super exaustivo e remoto, sem oportunidades de transferência, falta de plano de carreira pra sair do campo, restrições de onde posso residir, etc.

Mas acho que a maior razão de todas é que eu não consigo fazer algo só pelo dinheiro. Preciso de uma motivação maior. Motivo pra acordar todos os dias e trabalhar sorrindo. 

Não posso negar que tive uma experiência e tanto naquele trabalho. Saí do Brasil de peito aberto para o que der e vier. E tenho que admitir que estava sorrindo a maior parte desses 6 anos. Soube olhar para o lado positivo em todos os momentos, mas acho que saí no momento certo.

Essa semana fui ajudar meu cunhado com uma tarefa da faculdade dele e me lembrei da sensação gratificante que é ensinar alguém. Minha sogra e cunhada até comentaram que nunca viram alguém ensinar uma dever de casa tão feliz.

Foi aí que caiu a minha ficha. É isso que eu posso fazer pra me ocupar! Ensinar em Bahrain!

Na escola, ensinava matemática pra amigas da escola. Na faculdade, organizava grupos de estudo pra todos aprenderem juntos. Em Abu Dhabi, no treinamento da engenharia de campo ajudava o pessoal que tinha um pouco de dificuldade a passar nas atividades práticas e teóricas. No Oman eu tinha sempre uns trainees debaixo da minha asa. E até aqui em Bahrain tentei ajudar umas amigas a escrever em árabe.

Coloquei isso na minha cabeça e ponto final. Comentei com as minhas amigas, fiz um cartão de visitas e divulguei entre as brasileiras. Encontrei uma professora que tem uma empresa de professores particulares. Ela faz toda a divulgação pra gente, arruma os alunos e ainda ouve as reclamações dos pais. 

Já comecei dando aulas particulares de física e matemática pra alunos de escola e faculdade. Ainda estou indecisa se quero investir nisso ou apenas como quebra galho.
Adoro engenharia e gostaria muito de continuar trabalhando com isso. Mas nesse meio tempo quem sabe consigo inspirar mais meninas a se aventurar pelas carreiras de exatas.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Uma viagem até Dubai

Minha cunhada está morando temporariamente em Dubai e resolvemos visitá-la. Sempre vale a pena uma acomodação de graça na cada dos amigos, ou melhor, uma desculpa pra viajar...

A idéia da viagem foi da mãe do meu marido e eu me ofereci a acompanhá-la.
Aluguei um carro no aeroporto de Dubai com antecedência e também contratei o serviço de roaming da minha operadora de Bahrain pra usar o GPS do celular por lá. A localização do hotel já estava gravada e chegamos em 20 minutos pelo caminho mais curto e sem trânsito (usando o famoso google maps).

Minha sogra adorou o meu serviço de "concierge", disse que eu era super independente e organizada pra viajar. Adquiri muita prática viajando quase todos os meses dos 6 anos anteriores da minha vida! Na verdade desde que me mudei permanentemente pra Bahrain já estava começando a sentir falta de viajar...

A viagem foi ótima, tirando o fato que eu tive dor na coluna depois de carregar umas sacolas. Comemos em bons restaurantes, passeamos pelo Dragon Mart e pela avenida Sheikh Zayed. O clima estava ótimo e passeamos bastante a pé.

Meu programa favorito é assistir a dança das águas no chafariz do Dubai Mall (Dubai Fountain). Acho que este é o único programa gratuito em Dubai...
Desta vez sentamos em um restaurante para comer uns petiscos e bater papo furado. Com isso conseguimos assistir o show das águas umas 4 vezes, pois se repete a cada meia hora.

Viajar é sempre bom, mas voltar pra casa é melhor ainda!


terça-feira, 18 de outubro de 2016

Bikini ou Burkini?

No início eu achava que a palavra "burkini" era uma brincadeira, uma mistura de Burqa e bikini.
Mas esse termo não só existe, como é uma marca registrada australiana para o termo genérico "roupa de banho modesta islâmica".
Pra mim eu achei bem parecido com um traje de mergulho mais moderno com saia.

Toquei nesse assunto porque resolvemos nos aventurar pelas praias públicas de Bahrain.
A maioria das praias são privadas dentro de hotéis ou resorts. Em alguns hotéis é possível passar o dia na praia pagando uma taxa de 5 a 8 dinares (~40 a 70 reais!) para entrar.

Praia de Marassi
Chegamos na praia de Marassi e tomamos banho de mar usando roupas (calça de lycra e camisa dry-fit ou neoprene). Ninguém usa bikini como nas nossas praias. Nem sunga é comum, os homens estavam usando shorts ou apenas cuecas!
Não achei muito confortável mergulhar de roupa, mas sempre existe um ponto positivo. Por exemplo eu não precisei ficar me perguntando se o bikini está tapando tudo depois de movimentos bruscos...

Levamos sanduíches, salgadinhos, água de côco para lanchinho e cadeiras para sentar. Pois a estrutura de serviços à beira da praia também não é tão boa quanto a nossa (inexistente).

Claro que é muito diferente do que ir à praia no Brasil, mas gostamos da experiência. Vamos explorar mais e melhorar nossa farofa com barraca, mais cadeiras, mais lanchinhos e música.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Uma viagem vapt-vupt até o Oman

Minha amiga Ellen precisava ir rapidinho até o Omã e voltar pra Bahrain pra renovar seu visto. Ela poderia ir em um voo e voltar no seguinte, sem nem mesmo sair do aeroporto.
Mas eu pensei que poderíamos aproveitar essa oportunidade e passear em Muscat juntas nesse dia.

Achamos passagem de ida-e-volta (a distância é a mesma que Rio-São Paulo), alugamos um carro econômico e preparamos um roteiro bom, bonito e barato.

Eu e Ellen no Porto
Saímos de Bahrain de manhã, deixamos o carro no aeroporto no estacionamento de longa duração, que custava 2 dinares por dia. Tomamos um café no aeroporto com um bolo caseiro (que a Ellen mesmo fez) enquanto esperávamos o avião. Esse avião que por sinal atrasou bastante e nos fez trocar de portão de embarque umas 2 vezes.

Pão Pequenino
Chegamos no Omã na hora do almoço e a sugestão foi comer peixe na Turkish House, um restaurante de frutos do mar. Esse restaurante serve um pão gigante maravilhoso com gergelim feito na hora e peixes deliciosos. Pedimos um Hammour grelhado, um peixe suculento e nobre dessa região do golfo. Comemos quase até explodir...


Hotel Shangri-la
Passeamos pelo Mutrah Souq, o mercado típico de Muscat próximo ao Porto, que pode ser comparado a uma Rua da Alfândega com uma linda decoração árabe e mercadorias típicas. 
Muito bom pra comprar souvenirs e principalmente a mirra, um dos melhores incensos do mundo (da árvore Olíbano), com preços ótimos. Sempre compro um pacotinho de presente para a minha mãe.

A próxima parada foi o Shangri-lá, um hotel cinco estrelas que fica um pouco mais afastado do centro, ao lado de lindas montanhas e também à beira do mar. Vimos o pôr do sol e sentamos em um café para tomar um chá marroquino (ou uma dose dupla de cerveja).

Hora do chá
Depois de admirar as montanhas e costa de Muscat, já não tínhamos muito tempo até a hora do voo então resolvemos fazer uma boquinha no City Centre Seeb, um shopping ao lado do aeroporto. 

Depois de devolver o carro, a viagem já estava quase no fim. 

Durante a viagem lembrei de todos os anos que eu trabalhei no Omã, muitas lembranças boas e até algumas ruins. Muitas experiências e oportunidades que tive e aproveitei. 
O lugar onde conheci o Ahmed e lugares onde fiz muitos amigos. Foi um momento de nostalgia. Nem parece que só fazem 4 meses que saí de lá.
Foi ótimo poder ser uma companhia numa viagem tão rápida, mas ao mesmo tempo tão importante para nós duas.