domingo, 25 de dezembro de 2016

Natal entre Brasileiros

Peru e Farofa
Eu me esforcei, mas nunca me acostumei a passar as datas comemorativas longe da família e amigos. Tantos anos trabalhando no deserto, deixava tudo pra comemorar depois. Quantas datas eu acumulava e comemorava tudo junto de uma vez quando ia ao Brasil por exemplo. O natal já comemorei em novembro, aniversário em junho, o ovo da páscoa chegou em julho!


Hoje dou bastante valor quando consigo aproveitar um dia importante.
Salpicão e Arroz
Sempre gostei de comemorar meu aniversário, uma desculpa pra comer tudo o que tiver com vontade e encontrar os amigos. Há gente que não gosta de comemorar, mas eu acho muito legal considerar um dia mais importante que o outro pra dar mais cor à vida. 

Natal então, sempre uma data feliz, encontro com a família e bagunça com as crianças.

Não programei nada pra este Natal, pois a família do marido não comemora. Estava começando a ficar jururu.
Natal à Brasileira
Mas uma brasileira ao saber que estávamos sem programa no Natal, nos convidou de última hora para a ceia. Passamos o Natal bem à brasileira, com direito a peru, farofa, amigo oculto e discursos.

Um discurso me emocionou bastante até por ser bem parecido com o que eu passo desde 2011. Um brasileiro disse que esse era o segundo natal em 10 anos que passava junto ao filho, pois ele trabalha fora do Brasil há muitos anos.

Aniversário de Casamento
Esse deve ter sido o quinto natal que passo longe da minha mãe. Dessa vez pelo menos passei ao lado do marido e os novos amigos. Os brasileiros em Bahrain que são a nossa família longe do Brasil. 

Eu e meu marido voltamos bem felizes pra casa, pois a véspera de Natal também é nosso aniversário de casamento! E pela primeira vez estávamos juntos e aproveitamos bastante o dia desde o café da manhã até a ceia!

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Mudança de Carreira

Saí do meu emprego de engenheira de campo por muitas razões. Pelo trabalho ser super exaustivo e remoto, sem oportunidades de transferência, falta de plano de carreira pra sair do campo, restrições de onde posso residir, etc.

Mas acho que a maior razão de todas é que eu não consigo fazer algo só pelo dinheiro. Preciso de uma motivação maior. Motivo pra acordar todos os dias e trabalhar sorrindo. 

Não posso negar que tive uma experiência e tanto naquele trabalho. Saí do Brasil de peito aberto para o que der e vier. E tenho que admitir que estava sorrindo a maior parte desses 6 anos. Soube olhar para o lado positivo em todos os momentos, mas acho que saí no momento certo.

Essa semana fui ajudar meu cunhado com uma tarefa da faculdade dele e me lembrei da sensação gratificante que é ensinar alguém. Minha sogra e cunhada até comentaram que nunca viram alguém ensinar uma dever de casa tão feliz.

Foi aí que caiu a minha ficha. É isso que eu posso fazer pra me ocupar! Ensinar em Bahrain!

Na escola, ensinava matemática pra amigas da escola. Na faculdade, organizava grupos de estudo pra todos aprenderem juntos. Em Abu Dhabi, no treinamento da engenharia de campo ajudava o pessoal que tinha um pouco de dificuldade a passar nas atividades práticas e teóricas. No Oman eu tinha sempre uns trainees debaixo da minha asa. E até aqui em Bahrain tentei ajudar umas amigas a escrever em árabe.

Coloquei isso na minha cabeça e ponto final. Comentei com as minhas amigas, fiz um cartão de visitas e divulguei entre as brasileiras. Encontrei uma professora que tem uma empresa de professores particulares. Ela faz toda a divulgação pra gente, arruma os alunos e ainda ouve as reclamações dos pais. 

Já comecei dando aulas particulares de física e matemática pra alunos de escola e faculdade. Ainda estou indecisa se quero investir nisso ou apenas como quebra galho.
Adoro engenharia e gostaria muito de continuar trabalhando com isso. Mas nesse meio tempo quem sabe consigo inspirar mais meninas a se aventurar pelas carreiras de exatas.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Uma viagem até Dubai

Minha cunhada está morando temporariamente em Dubai e resolvemos visitá-la. Sempre vale a pena uma acomodação de graça na cada dos amigos, ou melhor, uma desculpa pra viajar...

A idéia da viagem foi da mãe do meu marido e eu me ofereci a acompanhá-la.
Aluguei um carro no aeroporto de Dubai com antecedência e também contratei o serviço de roaming da minha operadora de Bahrain pra usar o GPS do celular por lá. A localização do hotel já estava gravada e chegamos em 20 minutos pelo caminho mais curto e sem trânsito (usando o famoso google maps).

Minha sogra adorou o meu serviço de "concierge", disse que eu era super independente e organizada pra viajar. Adquiri muita prática viajando quase todos os meses dos 6 anos anteriores da minha vida! Na verdade desde que me mudei permanentemente pra Bahrain já estava começando a sentir falta de viajar...

A viagem foi ótima, tirando o fato que eu tive dor na coluna depois de carregar umas sacolas. Comemos em bons restaurantes, passeamos pelo Dragon Mart e pela avenida Sheikh Zayed. O clima estava ótimo e passeamos bastante a pé.

Meu programa favorito é assistir a dança das águas no chafariz do Dubai Mall (Dubai Fountain). Acho que este é o único programa gratuito em Dubai...
Desta vez sentamos em um restaurante para comer uns petiscos e bater papo furado. Com isso conseguimos assistir o show das águas umas 4 vezes, pois se repete a cada meia hora.

Viajar é sempre bom, mas voltar pra casa é melhor ainda!


terça-feira, 18 de outubro de 2016

Bikini ou Burkini?

No início eu achava que a palavra "burkini" era uma brincadeira, uma mistura de Burqa e bikini.
Mas esse termo não só existe, como é uma marca registrada australiana para o termo genérico "roupa de banho modesta islâmica".
Pra mim eu achei bem parecido com um traje de mergulho mais moderno com saia.

Toquei nesse assunto porque resolvemos nos aventurar pelas praias públicas de Bahrain.
A maioria das praias são privadas dentro de hotéis ou resorts. Em alguns hotéis é possível passar o dia na praia pagando uma taxa de 5 a 8 dinares (~40 a 70 reais!) para entrar.

Praia de Marassi
Chegamos na praia de Marassi e tomamos banho de mar usando roupas (calça de lycra e camisa dry-fit ou neoprene). Ninguém usa bikini como nas nossas praias. Nem sunga é comum, os homens estavam usando shorts ou apenas cuecas!
Não achei muito confortável mergulhar de roupa, mas sempre existe um ponto positivo. Por exemplo eu não precisei ficar me perguntando se o bikini está tapando tudo depois de movimentos bruscos...

Levamos sanduíches, salgadinhos, água de côco para lanchinho e cadeiras para sentar. Pois a estrutura de serviços à beira da praia também não é tão boa quanto a nossa (inexistente).

Claro que é muito diferente do que ir à praia no Brasil, mas gostamos da experiência. Vamos explorar mais e melhorar nossa farofa com barraca, mais cadeiras, mais lanchinhos e música.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Uma viagem vapt-vupt até o Oman

Minha amiga Ellen precisava ir rapidinho até o Omã e voltar pra Bahrain pra renovar seu visto. Ela poderia ir em um voo e voltar no seguinte, sem nem mesmo sair do aeroporto.
Mas eu pensei que poderíamos aproveitar essa oportunidade e passear em Muscat juntas nesse dia.

Achamos passagem de ida-e-volta (a distância é a mesma que Rio-São Paulo), alugamos um carro econômico e preparamos um roteiro bom, bonito e barato.

Eu e Ellen no Porto
Saímos de Bahrain de manhã, deixamos o carro no aeroporto no estacionamento de longa duração, que custava 2 dinares por dia. Tomamos um café no aeroporto com um bolo caseiro (que a Ellen mesmo fez) enquanto esperávamos o avião. Esse avião que por sinal atrasou bastante e nos fez trocar de portão de embarque umas 2 vezes.

Pão Pequenino
Chegamos no Omã na hora do almoço e a sugestão foi comer peixe na Turkish House, um restaurante de frutos do mar. Esse restaurante serve um pão gigante maravilhoso com gergelim feito na hora e peixes deliciosos. Pedimos um Hammour grelhado, um peixe suculento e nobre dessa região do golfo. Comemos quase até explodir...


Hotel Shangri-la
Passeamos pelo Mutrah Souq, o mercado típico de Muscat próximo ao Porto, que pode ser comparado a uma Rua da Alfândega com uma linda decoração árabe e mercadorias típicas. 
Muito bom pra comprar souvenirs e principalmente a mirra, um dos melhores incensos do mundo (da árvore Olíbano), com preços ótimos. Sempre compro um pacotinho de presente para a minha mãe.

A próxima parada foi o Shangri-lá, um hotel cinco estrelas que fica um pouco mais afastado do centro, ao lado de lindas montanhas e também à beira do mar. Vimos o pôr do sol e sentamos em um café para tomar um chá marroquino (ou uma dose dupla de cerveja).

Hora do chá
Depois de admirar as montanhas e costa de Muscat, já não tínhamos muito tempo até a hora do voo então resolvemos fazer uma boquinha no City Centre Seeb, um shopping ao lado do aeroporto. 

Depois de devolver o carro, a viagem já estava quase no fim. 

Durante a viagem lembrei de todos os anos que eu trabalhei no Omã, muitas lembranças boas e até algumas ruins. Muitas experiências e oportunidades que tive e aproveitei. 
O lugar onde conheci o Ahmed e lugares onde fiz muitos amigos. Foi um momento de nostalgia. Nem parece que só fazem 4 meses que saí de lá.
Foi ótimo poder ser uma companhia numa viagem tão rápida, mas ao mesmo tempo tão importante para nós duas.

domingo, 11 de setembro de 2016

Eid Al Adha

Café da manhã típico
Pra celebrar o feriado do Eid Al Adha, a família do Ahmed sugeriu passarmos o dia numa casa com piscina desde o café da manhã até o entardecer.

Alugamos uma casa com piscina por 12h, levamos comidas típicas de café da manhã, chá, café árabe, café preto, copos plásticos, etc... Poderia dizer que era um piquenique em casa!
Dentre as comidas típicas eu gosto muito dos salgadinhos com queijo e zátar. Definitivamente não gosto de "balaleet" um macarrão doce de açafrão com um ovo frito em cima pra completar! Existe gosto pra tudo, pois as minhas cunhadas adoram...
Uma piscina só pra gente!

Aproveitamos a manhã na piscina, nadando e jogando bola, ou apenas relaxando e ouvindo música pois a temperatura da água estava ótima! 

Eu fui com bikini, mas percebi que não é hábito usar bikini por aqui. Então minha cunhada me emprestou uma saída de praia de um material leve que eu usei por cima pra entrar na piscina. Foi até bom, pois estava mais discreta e não precisava me preocupar com gordurinhas na hora de sentar...
Almoço tamanho família

Na hora do almoço encomendamos arroz com frango e salada de um restaurante do bairro, pois não ia dar tempo de cozinhar pra tantas bocas!
Depois do almoço rolou a rodada de Sheesha (ou narguilhê) na beira da piscina. Não gosto muito quando as pessoas fumam em lugares fechados pois fica sufocante, mas em lugares abertos não me incomodo com a fumaça mais dispersa.

Levei meu café brasileiro, garrafa térmica e filtro pra fazer na hora. Meu café fez muito sucesso!

Quando o sol já estava mais brando, começamos a jogar volley na quadra. Acho que foi a primeira vez no ano que eu estive em contato com o sol. Inventamos um monte de regras pro jogo ficar mais dinâmico e porque a bola era muito leve...

Depois de um dia cheio de comilança e atividades, chegamos em casa mortos de cansados. Um ótimo dia em família.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Um Churrasco Brasileiro em Bahrain

Primeiro Café da Manhã
Depois que descobri a comunidade Brasileira aqui em Bahrain, minha vida social melhorou muito.
Antes eu só conhecia a família do marido e não tinha muitos contatos. 

O grupo de brasileiros sempre organiza encontros, meu primeiro foi em um café da manhã com as brasileiras no Paul, um ótimo restaurante francês. Conheci algumas brasileiras pessoalmente que antes só falava pelo whatsapp.
Neste dia começamos a organização um churrasco na casa de uma brasileira no final de semana seguinte. A idéia era cada um levasse um pouco de carne ou bebida, pra não ficar pesado pra ninguém.

Lugar lindo
No dia do churrasco, eu e Ahmed levamos umas cervejinhas, refrigerantes e gelo. A Ellen levou Seabass, um peixe bem gostoso daqui da região do golfo, já temperado para grelhar. Outros levaram carnes brasileiras e até linguiças de porco. Estava bem farto o churrasco e os gauchos estavam no comando da churrasqueira (só pra ter idéia da qualidade).

Ahmed se enturmou bem e aproveitou pra tirar onda com seu português, usou todas as palavras possíveis do vocabulário dele. Acho que conseguiu impressionar alguns brasileiros!
Em Bahrain?
O churrasco foi muito animado, muita música brasileira, muita fartura e muita gargalhada.
Ahmed disse que parecia que não estávamos em Bahrain!

Foi ótimo estar rodeada de brasileiros, poder conversar na nossa língua, rir das piadas bobas, saber que nunca estamos sozinhos pelo mundo.

domingo, 28 de agosto de 2016

Muitas Brasileiras em Bahrain!

Eu, bobinha, achava que era uma das únicas brasileiras em Bahrain. Depois de vasculhar um pouco na internet, achamos o telefone da Ellen no facebook.
Ela colocou o telefone dela disponível pra dar apoio a uma brasileira que estava se mudando de Minas Gerais pra Bahrain. Ligamos assim que achamos o telefone na internet e já marcamos um café no Souq (mercado) de Manama.

Fui com a minha mãe e logo nos identificamos com ela. Quem diria, conversa vai e conversa vem, descobri que a comunidade brasileira é bem grande em Bahrain! Mais de 100 brasileiros, de todos os Estados e exercendo as mais diversas profissões.

Ela me inseriu no grupo das brasileiras, só no whatsapp são quase 50 mulheres,  e já me enturmou no grupo. Ela é casada com um Egípcio, mora em Bahrain há menos de um ano, é de Manaus ("Mãnaus" como se fala por lá).
Estamos sempre nos divertimos apontando as diferenças entre os sotaques do Rio e Amazonas!
Sempre lembro do Ahmed falando "bãnana" com o nariz tapado pra copiar a Irene, cuja família é do Maranhão.

Percebi que o povo brasileiro é bem solidário e todas estão sempre tentando se ajudar. Quase toda semana são organizados eventos, como um café da manhã, almoço ou churrasco. Tenho a impressão que só nos encontramos pra comer... Já engordei alguns quilos.

Resumindo, fiz uma nova amizade e Bahrain já ficou mais colorido.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Um Carioca na Islândia

Este post é em homenagem ao meu irmão que fez intercâmbio em Budapeste e viajou a Europa quase inteira.
Ele escreveu uma parte da aventura, uma viagem à Islândia pra ver a Aurora Boreal.
 (Clique aqui pra ler a aventura).
As fotos são de tirar o fôlego! O relato é divertido e cheio de dicas econômicas pra viagens, vale a pela ler!


terça-feira, 26 de julho de 2016

Empregadas domésticas no mundo

Estou morando fora do Brasil há quase 6 anos, passei por Índia, Emirados Árabes, Qatar, Oman e Bahrain. Tive a oportunidade de trabalhar com pessoas de diversas culturas, etnias, religiões, etc. Sempre tentei abrir mais a minha mente, para aprender a respeitar melhor as diferenças.

Os nativos dos países do Golfo (EAU, Qatar, Oman, Kuwait, Arábia Saudita, Bahrain) em sua maioria não realizam trabalhos de baixa remuneração e contratam estrangeiros de países mais pobres para fazer isso. Estrangeiros de países mais pobres aceitam os empregos por falta de oportunidades em seus países de origem e a possibilidade de ajudar suas famílias trabalhando no exterior. 
Contratam indianos, paquistaneses, filipinos, tailandeses, indonésios, entre outros, pra serem empregados domésticos, operários de construção civil, manicures, etc.

Até aí tudo bem, eu também aceitei um emprego fora do meu país como uma oportunidade melhor que no Brasil... Qual a diferença então? A diferença está nos contratos de trabalho que nem sempre favorecem o trabalhador, nas condições em que eles trabalham e moram, algumas vezes o empregador tem a posse do passaporte do trabalhador (!). 
Pra mim a diferença também está no tratamento que essas pessoas recebem dos seus patrões e no direito de ir e vir. 

As empregadas domésticas normalmente tem um contrato de 2 anos, a passagem de ida e volta ao país de origem é coberta, mas não necessariamente tem dias de folga. Moram na casa da família, normalmente em um quarto/casa separado. Imagina trabalhar 2 anos sem um dia de descanso. E durante esses 2 anos receber um tratamento desrespeitoso de uma família inteira. Reclamar pra agência de emprego também não resolve, pois o patrão tem sempre razão. A solução é aceitar calada os dois anos passarem e nesse meio tempo ajudar a família se possível.

Tirando o fato de estar em um país diferente, essa foi (ou ainda é) a realidade de muitas no Brasil. Se trocarmos a palavra "país" nesse texto pra "estados" podemos fazer um paralelo "sudeste" e "nordeste" ou até "cidade grande" e "subúrbios".