domingo, 19 de julho de 2015

Eid Mubarak

Eid Mubarak
Finalmente o tão esperado "Eid" chegou depois do mês do Ramadã. Hoje iremos comemorar com um almoço na casa da avó do Ahmed.

Acordamos relativamente tarde e tomamos o primeiro café da manhã em um mês!
Fui rapidinho ao salão fazer uma escova pra domar as madeixas.
Quando voltei, Ahmed já estava vestido com a túnica (thoob) e me apressou pra eu me arrumar.
Eu me considero super rápida pra me arrumar, mas dei uma corridinha. Vesti minha jalabiya (vestido típico), fiz minha maquiagem (!), coloquei minhas jóias (!) e salto alto (! acho que quem me conhece vai achar que todo o post é inventado a partir de agora).

Almoço típico (no chão rsrs)
A casa da avó do Ahmed é relativamente perto e chegamos em 10 minutos. Nem precisava te me apressado tanto, mas tive que manter a tradição de ficar pronta primeiro.

A saudação que se usa para cumprimentar nesta data é o título do post: "Eid Mubarak". Que significa um "Eid" abençoado para você. Lembrando que Eid é o nome do festival, mencionado no post anterior. Outra saudação muito usada é "Kul 'am wa enta bi-khair" que ao pé da letra significa que todos os anos te encontrem com boa saúde. 

O narguilhe aqui se chama Sheesha
Várias tias, tios, primas, primos estavam presentes, uma grande família como a nossa no Brasil. Muitas crianças e alegria pela casa. O almoço foi servido no chão em duas salas, uma para as mulheres e uma para os homens. O prato era arroz com cordeiro e frango com um molho de passas e castanhas. Havia dois tipos de saladas também, mas não é o meu forte. Eu sempre preparo um iogurte ao meu lado caso a comida seja apimentada pra diluir o tempero, mas desta vez estava ao ponto.

As sobremesas não são servidas na mesa imediatamente depois da comida como nós fazemos. A mesa é retirada e uma mesa pequena ou uma outra sala é preparada com chá, café árabe, frutas e doces. Muitas vezes a Sheesha também é preparada pra acompanhar. O café árabe é bem diferente do nosso pois é adicionado cardamomo e açafrão (sim o café é amarelo), normalmente tomado sem açúcar.

Uma tradição do "Eid" é distribuir dinheirinhos entre as crianças, por isso trocamos algumas notas grandes em notas de 500 fils (meio dinar). As crianças mais velhas recebem um pouco mais do que as crianças pequenas, mas no final da noite estão todos contando seus lucros!

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Preparativos para Eid

Henna para Eid
Ao final do mês do Ramadã é celebrado o final do jejum num festival chamado Eid Al-Fitr (traduzindo literalmente do árabe significa o festival de quebra do jejum).

O festival pode durar um, dois ou até três dias dependendo das tradições do país. Aqui em Bahrain dura três dias e é feriado escolar e comercial. O primeiro dia é definido através da visualização da lua crescente no último dia do mês do Ramadã. Caso a lua não esteja claramente crescente ou o céu esteja nublado, a festividade é adiada um dia.

Os últimos dias do Ramadã são bem ocupados com preparativos para o festival. É um costume usar uma roupa nova, então as mulheres compram vestidos chamados jalabiyas e os homens as túnicas e turbantes para a festa.

É preciso agendar com antecendência qualquer atividade em salões de beleza e alfaiates pois eles ficam sobrecarregados com os preparativos para o festival. Todos querem fazer cabelos, henna, ajustar vestidos, túnicas, etc.

Jalabiya para Eid
Comprei um vestidinho novo para o festival. Comprar roupa por aqui é sempre grande desafio pra mim, pois as roupas aqui são bem mais extravagantes que o meu gosto.

É bem comum a aplicação de henna (a mesma que usei para o meu casamento) mas com designs típicos para essa época.
Eu como ADORO henna não pude ficar fora desta. As tias do Ahmed fizeram uma pequena reunião na casa de uma delas para a aplicação de henna. Uma moça é contratada e fica a noite toda aplicando henna nas meninas da família.
Nem todas as meninas gostam de henna, pois tem o cheiro forte quando sendo aplicada e demora de um a dois dias para se atenuar.
Eu como sempre senti o cheiro da henna quando a mamãe pintava o cabelo, nem me incomodo e me divirto com os desenhos.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

As filhas das arábias

Na volta do Oman para Bahrain, tive que esperar no aeroporto por umas 6 horas. Passei por uma livraria e fiquei pesquisando algum livro pra comprar.
Quase sempre compro livros nas minhas esperas de viagens. Gosto de ler algo escrito por autores regionais ou sobre uma história típica da região.
Nem sempre o livro é extraordinário, mas sigo fielmente o lema de sempre terminar um livro que comecei. Seja devagar ou entediante. Acho que sempre podemos adicionar algo na nossa vida ao terminar um livro. Nem que seja uma nova percepção, uma nova idéia, ou apenas um novo vocabulário.

Encontrei um livro que estava fora da estante dos mais vendidos deste mês. Na prateleira mais abaixo próxima ao chão. Se chamava princesa em inglês. Estava na sessão de não-ficção, estão assumi que se baseava em uma história real de uma princesa, li no verso e se baseava na história de uma da arábia. Comprei e comecei a ler durante a minha espera.
Me cativou desde o começo pois contava a situação das mulheres na Arábia Saudita nos anos 60-70. Mas ao mesmo tempo denuncia várias histórias da realeza. Pensei como este livro poderia ainda estar na prateleira sem ser censurado.

Quase terminei o livro no avião antes de chegar em Bahrain. No primeiro dia em Bahrain estava me segurando pra não ler as últimas páginas. Não gosto quando um livro interessante chega ao fim. Paro de ler e vou fazer lanchinhos ou ver um filme, desculpas pra não ler as últimas páginas. Mas as ultimas páginas chegaram, terminei o livro. Ponto final.
Soube que a mesma autora escreveu duas continuações e logo fui até a livraria procurar os livros. Primeiro procurei nas estantes, nada. Decidi perguntar pra um funcionário e ele disse que não tinha. Perguntei se ia chegar ou nunca teve. Ele disse que o livro esteve disponível no passado mas deu muitos problemas e eles tiveram que tirar das prateleiras.

Imaginei. Censurado é claro. Bahrain vizinho da Arábia Saudita.
Agora eu quero ler as continuações mais que nunca...