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sexta-feira, 17 de julho de 2015

Preparativos para Eid

Henna para Eid
Ao final do mês do Ramadã é celebrado o final do jejum num festival chamado Eid Al-Fitr (traduzindo literalmente do árabe significa o festival de quebra do jejum).

O festival pode durar um, dois ou até três dias dependendo das tradições do país. Aqui em Bahrain dura três dias e é feriado escolar e comercial. O primeiro dia é definido através da visualização da lua crescente no último dia do mês do Ramadã. Caso a lua não esteja claramente crescente ou o céu esteja nublado, a festividade é adiada um dia.

Os últimos dias do Ramadã são bem ocupados com preparativos para o festival. É um costume usar uma roupa nova, então as mulheres compram vestidos chamados jalabiyas e os homens as túnicas e turbantes para a festa.

É preciso agendar com antecendência qualquer atividade em salões de beleza e alfaiates pois eles ficam sobrecarregados com os preparativos para o festival. Todos querem fazer cabelos, henna, ajustar vestidos, túnicas, etc.

Jalabiya para Eid
Comprei um vestidinho novo para o festival. Comprar roupa por aqui é sempre grande desafio pra mim, pois as roupas aqui são bem mais extravagantes que o meu gosto.

É bem comum a aplicação de henna (a mesma que usei para o meu casamento) mas com designs típicos para essa época.
Eu como ADORO henna não pude ficar fora desta. As tias do Ahmed fizeram uma pequena reunião na casa de uma delas para a aplicação de henna. Uma moça é contratada e fica a noite toda aplicando henna nas meninas da família.
Nem todas as meninas gostam de henna, pois tem o cheiro forte quando sendo aplicada e demora de um a dois dias para se atenuar.
Eu como sempre senti o cheiro da henna quando a mamãe pintava o cabelo, nem me incomodo e me divirto com os desenhos.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

As filhas das arábias

Na volta do Oman para Bahrain, tive que esperar no aeroporto por umas 6 horas. Passei por uma livraria e fiquei pesquisando algum livro pra comprar.
Quase sempre compro livros nas minhas esperas de viagens. Gosto de ler algo escrito por autores regionais ou sobre uma história típica da região.
Nem sempre o livro é extraordinário, mas sigo fielmente o lema de sempre terminar um livro que comecei. Seja devagar ou entediante. Acho que sempre podemos adicionar algo na nossa vida ao terminar um livro. Nem que seja uma nova percepção, uma nova idéia, ou apenas um novo vocabulário.

Encontrei um livro que estava fora da estante dos mais vendidos deste mês. Na prateleira mais abaixo próxima ao chão. Se chamava princesa em inglês. Estava na sessão de não-ficção, estão assumi que se baseava em uma história real de uma princesa, li no verso e se baseava na história de uma da arábia. Comprei e comecei a ler durante a minha espera.
Me cativou desde o começo pois contava a situação das mulheres na Arábia Saudita nos anos 60-70. Mas ao mesmo tempo denuncia várias histórias da realeza. Pensei como este livro poderia ainda estar na prateleira sem ser censurado.

Quase terminei o livro no avião antes de chegar em Bahrain. No primeiro dia em Bahrain estava me segurando pra não ler as últimas páginas. Não gosto quando um livro interessante chega ao fim. Paro de ler e vou fazer lanchinhos ou ver um filme, desculpas pra não ler as últimas páginas. Mas as ultimas páginas chegaram, terminei o livro. Ponto final.
Soube que a mesma autora escreveu duas continuações e logo fui até a livraria procurar os livros. Primeiro procurei nas estantes, nada. Decidi perguntar pra um funcionário e ele disse que não tinha. Perguntei se ia chegar ou nunca teve. Ele disse que o livro esteve disponível no passado mas deu muitos problemas e eles tiveram que tirar das prateleiras.

Imaginei. Censurado é claro. Bahrain vizinho da Arábia Saudita.
Agora eu quero ler as continuações mais que nunca...



domingo, 28 de junho de 2015

Ramadan Kareem

Estamos no mês do Ramadã no calendário Hajiri, pra aqueles que não leram o post do ano passado, vou fazer um pequeno resumo.
O nosso calendário (gregoriano) é baseado no ano solar, que dura 365 dias e algumas horas. É dividido em 12 meses de 28, 30 ou 31 dias. Não vou entrar em detalhes nesse calendário porque todos nós conhecemos muito bem.
O calendário árabe, islâmico ou Hajiri, é lunar e dura aproximadamente 11 dias a menos que o calendário solar. Também é composto por 12 meses de 29 ou 30 dias.

Iftar no deserto do Oman
Ramadã é o nono mês do calendário Hajiri e é considerado sagrado pelos muçulmanos pois foi o mês que foi revelado o Corão, o livro sagrado do Islã.
Neste mês os muçulmanos fazem jejum entre o nascer e o pôr do sol. Um jejum mais completo não só de comida, mas de água, pensamentos ruins, palavrões, relações sexuais, etc. A leitura do corão é incentivada, a espiritualidade e gratidão também.

As jornadas de trabalho são menores e horários comerciais são diferentes durante esse mês pra acomodar o tempo que a população está de jejum.

Iftar em Bahrain
A refeição que se quebra o jejum é chamada Iftar e é feita na maioria das vezes em família, em casa ou restaurante. No deserto do Oman essa refeição é bem leve com frutas, tâmaras e pequenos salgadinhos. Uma jantar ou refeição mais completa é feita mais tarde. Nas grandes cidades do Oman como em Muscat, ouvi dizer que são feitas refeições cada dia em uma casa da família ou amigos. Em Bahrain, na família do meu marido, o Iftar é uma refeição completa e se quebra o jejum com água e tâmaras antes de começar a comer.

Eu experimentei fazer o jejum e acho que me dei muito bem. Não tive dor de cabeça e comi devagar durante o desjejum. Acho que o mais difícil não é ficar sem comer, mas ficar sem água num verão bem quente.

Obs: O título desta postagem a expressão "Ramadan Kareem" significa generoso Ramadã.

domingo, 14 de junho de 2015

Peças da vida

Quando a gente menos espera a vida nos prega peças.
Podemos desabar e achar que todas as peças ruins do mundo caem sobre a gente. E nos perguntamos, porque comigo?
Ou podemos usar essas peças e construir algo novo, crescer, dividir uma nova experiência adquirida.
Um degrau acima, não abaixo.
No lugar de dizer que todos os planos foram perdidos, podemos dizer que foram apenas adiados.
Ou quem sabe não é a hora de mudar de planos?
São essas peças da vida que nos ensinam o quanto somos fortes e quem são os verdadeiros amigos.

Tenho que admitir que até me senti um pouco orgulhosa de mim mesma por usar essas peças e montar um quebra-cabeça...

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Viajar ou não viajar eis a questão

Quando consegui a oportunidade de trabalho na Índia, um amigo me perguntou porque decidi aceitar aquele emprego, se eu tinha outras ótimas opções no Brasil.

Respondi que queria viajar e conhecer o mundo. E foi o que eu fiz, viajei para lugares onde nem imaginava ir. Visitei lugares que não estavam nem na minha lista de países a visitar,  sai da rotina, mudei minha visão de mundo, fiz novos amigos e até casei. Muitas dessas histórias estão relatadas aqui nesse blog.
Essa semana quase 5 anos depois da minha saída encontrei esse mesmo amigo.
Ele fez uma nova pergunta, se eu saí do país com o objetivo de viajar mais e conhecer o mundo, porque agora todas as férias eu sempre volto ao Brasil?

Não tenho uma resposta objetiva. Acho que vezes dá vontade de voltar pra casa, pra um lugar conhecido, para a família, para os velhos amigos. Passar mais tempo junto com quem realmente se importa com a gente. Ter uma "rotina" nas férias nem que seja por 20 dias, pois todos os outros dias no trabalho são imprevisíveis. Comer a comida caseira que tanto faz falta no deserto. Talvez economizar um pouco para os planos de um futuro próximo. Resolver burocracias pendentes que dependem da nossa presença em 3 dos países que sempre vamos.

Ainda não sei qual das razões pesam mais na decisão de onde ir nas próximas férias. Nosso objetivo ainda é conhecer um novo país todos os anos e estamos cumprindo. Eu concordo que esse objetivo poderia ser cumprido trabalhando num emprego normal com férias anuais e finais de semana.
Mas ainda gosto desse balanço, férias, trabalho, férias, trabalho, mas é claro que isso não vai poder continuar quando decidirmos aumentar nossa família.

Estou esperando as mudanças que vão acontecer esse ano para colocar de novo as prioridades na balança e quem sabe tomar novos caminhos. Um diferente país, um diferente emprego, uma diferente rotina...


terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Congelando na Turquia

Pra aproveitar a ida a Bahrain (do outro lado do mundo) porque não dar uma passadinha na Turquia?

Uma pena que estava muito frio, mas mesmo assim aproveitamos a nevasca para uma guerra de bolas de neve!

Alugamos dois apartamentos próximo a praça Taksim, próximo ao metrô.
Passamos o aniversário da Pina e o Ano novo juntos, fizemos passeio de barco, visita à Mesquita Azul, Palácio Topkapi, Grand Bazar, entre outros passeios.

Algumas fotos da bagunça:
Visita à Mesquita

Aniversário da Pina

Ano Novo na Turquia!

Neve em Istambul!

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Retrospectiva 2014

Acho que eu faço isso todos os anos, pois sempre começo o ano mais reflexiva.
Pensando no que passou e no que virá, no que eu alcancei e o que eu deixei passar.

A passagem desse ano foi muito melhor do que a do ano anterior. Passei entre amigos, numa viagem, descontraída. Lembrando do casamento e de todas as coisas boas que estão por vir.

Este ano como sempre aproveitamos para viajar, para a Malásia no começo do ano no casamento da Alyaa (ótimas notícias está esperando bebê!), para a Disney em abril, para o Brasil durante a copa do mundo e Brasil-Bahrain para os preparativos do casamento.

Na segunda metade do ano o nosso foco foi o casamento, vestido de noiva e terno do noivo, shabka, bufê, flores, DJ, etc. O visto dos convidados brasileiros foi um alívio em outubro quando Bahrain abriu as fronteiras para uns 100 países! O acolhimento dos hóspedes em Bahrain também foi planejado, apartamentos, carro, etc.

Devido a problemas no trabalho tivemos alguns apertos financeiros no final, mas nada que pudesse estragar um ótimo ano.

Esse ano quero focar um pouco mais no meu aprendizado de árabe. Continuar procurando um apertamento no Rio e fazer uma poupança pra estar preparada quando encontrar. Conseguir a tão atrasada promoção no trabalho e quem sabe uma nova mudança de cargo ou país...

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

O grande dia quem diria

Meu casamento não foi como eu sonhava,  até porque eu não sonhava em casar.
Foi melhor e diferente em vários sentidos. Uma experiência de outro mundo e muito aprendizado também.
Nunca me imaginei usando o famoso vestido branco de noiva, mas tenho que admitir que fiquei bem bonita nele! Me entreguei à maquiagem e ao salto alto também. As tatuagens de henna pareciam luvas.
Não vou postar as fotos do casamento onde as mulheres da família do noivo aparecem sem o véu, por uma questão de respeito.
O bufê do casamento estava divino, tivemos um show de dança do ventre e no final da festa brigadeiros e docinhos feitos pela mamãe.
No dia seguinte não acreditei que a festa tinha realmente acabado. Tanto tempo planejando e a festa acaba tão rápido!
Bom, pelo menos temos as fotos e o vídeo para curtir de agora em diante.
Estou pensando em fazer uma sessão no Brasil para mostrar pra quem não pode ir.
Preparativos no Hotel
Com a mamãe e irmão
Com o noivo e mini-noivo!
Agora uma nova etapa da minha vida vai começar ao lado do meu companheiro favorito.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Festa da Henna

Uma das tradições do casamento é a Festa da Henna, onde as mulheres da família se reúnem para pintar as mãos/pés com tatuagens temporárias de Henna para o casamento. A tradição diz que quanto mais forte for a fixação da Henna mais forte os laços entre as famílias.
Para a minha festa, precisei comprar um vestido novo, já que eu sou a noiva e não tenho nada típico. Fomos ao Souq Al-Maharraq (mercado tradicional) onde as minhas convidadas compraram suas túnicas ou vestidos para a festa da henna e um dos meninos também comprou uma túnica para o casamento.
Aplicação da Henna
O meu vestido deveria ser verde, a cor mais tradicional para noivas nessa festa. O verde também foi escolhido para combinar com as túnicas e toalhas de mesa usadas pela mãe do noivo no casamento dela há mais de 30 anos.
O meu vestido precisou de pequenos ajustes para o meu tamanho e o alfaiate terminou em menos de 24 horas.


 No dia da festa, Ahmed saiu com os meninos pro autódromo de kart. Assim a casa ficou livre só para as meninas. Fomos ao salão, fizemos unhas, sobrancelhas, cabelo, a maquiagem ficou por conta da gente. Vestimos as túnicas ou vestidos e esperamos as convidadas e as artistas da Henna.
Hennas das Brasileiras

A primeira a ser tatuada foi a noiva é claro, e em seguida as convidadas interessadas. Todas as brasileiras se aventuraram, cada uma com um design original e diferente.
Cada convidada levava em média 15-20 minutos para a aplicação.
A noiva (eu) fiquei mais de 3 horas e meia sentada e com os pés levantados durante a aplicação. A Henna demora uns 40 minutos a uma hora pra secar, dependendo da área de aplicação. Depois de seca uma casquinha se descola e a cor marrom fica. A intensidade do marrom depende da pessoa e da região aplicada, regiões como palma da mão ficam mais escuras que braço por exemplo.
Design da minha mãe esquerda
No final da festa, rolou uma pista de dança com danças típicas tanto das arábias quanto do Brasil. Brasileiras deram um show de samba e frevo! Gostamos tanto da idéia que queremos fazer uma festa de Henna no Brasil!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Brasileiros em Bahrain

Para comemorar meu casamento em Bahrain, 8 brasileiros conseguiram se aventurar para as arábias! Minha mãe, Irmão, Dindinha, Tia Enoe, Pina, Irene, Daniel e Pedro.
Chegada em Bahrain
Chegada em Bahrain













Tivemos ótimos almoços em família, comendo no chão com as mãos, passeio no deserto pra ver a árvore da vida, passeio no zoo, museu, restaurantes, compras de roupas típicas, etc.
Brasileiros?
Brasileiros em Bahrain num Restaurante Mexicano!
No Brasil fizemos um sorteio de um amigo oculto de natal a ser realizado após o casamento. Acho que foi uma boa experiência para aqueles que se aventuraram nas arábias. Pra mim foi muito bom dividir um pouco com minha família e amigos essa parte do mundo que agora faz parte de mim.
Amigo Oculto de Natal
Almoços, Chás, Sheesha sentados no chão